Polícia investiga morte de estudante de 11 anos; família diz que ela sofreu bullying

  • 03/08/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia investiga morte de estudante de 11 anos no Ceará; família diz que ela sofreu bullying Thiago Gadelha/SVM A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar as circunstâncias da morte de uma estudante de 11 anos que morreu no dia 23 de julho, em Maracanaú, município na Região Metropolitana de Fortaleza. A família da jovem comunicou a escola onde ela estudava, em Fortaleza, sobre relatos de bullying e chegou a solicitar a transferência da aluna para outra unidade. De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi “encontrada sem vida em um imóvel particular”, onde a menina morava. A investigação é conduzida pela 5ª Delegacia de Polícia Civil de Maracanaú. As autoridades, porém, não confirmaram qual a linha de investigação para o caso. ➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Ao g1, a família da menina disse que ela era vítima de bullying e que os episódios de violência verbal e psicológica tiveram início algum tempo depois do começo do ano letivo de 2026, quando a jovem começou a estudar no Colégio Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CMCB), situado no bairro Jacarecanga, em Fortaleza. A jovem também teria sofrido violência física. "Ela inventava que não queria ir para a escola, que estava com dor de barriga, estava com dor de cabeça", conta a mãe da criança, que não será identificada. Os episódios de bullying denunciados pela jovem foram relatados à escola pela família. A mãe da menina contou ainda que eles chegaram a reforçar um pedido de transferência que tinha sido feito anteriormente, mas teve a solicitação negada. Já o Colégio do Corpo de Bombeiros afirmou que "todas as demandas formalmente apresentadas à escola receberam o devido encaminhamento pelas equipes competentes”. O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) acompanha o caso por meio do Centro de Apoio Operacional da Educação, que encaminhou a demanda para a Promotoria de Justiça da Educação em Fortaleza. Agora no g1 Relatos de bullying A mãe da criança relatou que, inicialmente, soube dos episódios de bullying que a filha sofria por meio da irmã mais velha da menina, que também é estudante, porém frequenta outra escola. No começo, ela negou os problemas, mas depois relatou ter sofrido episódios de violência verbal e até física. "Quando ela chegava, quando eu notava ela muito calada, eu dizia: 'O que está acontecendo?', e ela disse: 'Não, mãe, está acontecendo nada não'. Aí eu começava a ver a fardinha dela, aí eu via uma manchinha roxa, aí eu dizia: 'o que foi isso aqui?', 'não mãe, foi eu na quadra, correndo, brincando'. Sendo que isso já estava acontecendo, né? E ela não queria falar a verdade", disse a mãe. A mãe disse que, após descobrir que a filha sofria bullying, ela denunciou o caso à escola. A menina chegou a ser ouvida em um depoimento na instituição, acompanhada pelos pais, no qual ela relatou os episódios e nomeou os responsáveis. Por meio de nota, o colégio confirmou ter recebido relatos de que a aluna sofria bullying. “O Colégio destaca que sempre que tomou conhecimento de relatos apresentados à instituição adotou as providências previstas em seus protocolos internos de acompanhamento, com o objetivo de subsidiar a adoção das medidas pedagógicas e disciplinares cabíveis”, reforçou o Colégio do Corpo de Bombeiros. A instituição também afirmou que todas as demandas formalmente apresentadas tiveram os devidos encaminhamentos realizados pelas equipes competentes, com procedimento para ouvir alunos citados no depoimento da jovem. A escola ressaltou, também, que desenvolve ações contínuas de prevenção e conscientização sobre bullying, contando com equipe de psicólogos. Após comunicação formal, a família afirma que a equipe escolar não chegou a dar um retorno a eles sobre o contato com os outros alunos citados pela vítima. Pedido de transferência A família da jovem relatou que, ainda no início do ano, pediu a transferência da menina do Colégio do Corpo de Bombeiros, em Fortaleza, para o 3º Colégio da Polícia Militar, na cidade de Maracanaú, onde a família vivia. Inicialmente, o pedido tinha motivos logísticos, uma vez que ajudaria a manter a jovem de 11 anos mais próxima de casa. No entanto, após os relatos de bullying, a família reforçou o pedido de transferência em busca de um novo ambiente escolar para a menina. O pedido não foi aceito. Em nota, a escola informou que, logo no início do ano, a família protocolou o pedido de transferência por questões logísticas. O pedido foi analisado pela Assessoria Jurídica da Corporação, mas foi negado por não estar dentro de exigências do regimento interno. Conforme a escola, as transferências entre escolas militares só podem ser feitas depois que o aluno cursa o tempo mínimo de um ano letivo na instituição de origem. Outros fatores são a disponibilidade de vaga na série e no turno do estudante na unidade pretendida. O processo seletivo para ingressar no Colégio Militar é um concurso público de admissão. A escola informou, também, que não há restrições caso os estudantes queiram ser transferidos para outras escolas da rede pública ou particular. “Na mesma oportunidade, a família foi informada de que poderia solicitar a transferência da estudante para qualquer outra instituição de ensino, pública ou privada, sendo assegurado pelo CMCB o encaminhamento para matrícula em escola pública próxima à residência da aluna, conforme a legislação aplicável”, diz a nota. Ações na escola Por meio de nota, o Colégio do Corpo de Bombeiros informou que, no retorno às aulas após as férias escolares, nesta segunda-feira (3), a escola realizou uma programação voltada para acolher a comunidade escolar e fortalecer ações de promoção da saúde mental, prevenção ao bullying e desenvolvimento socioemocional dos estudantes. As ações incluem: Lançamento do programa “Nota 10, Bullying Zero” como iniciativa permanente para promover a cultura do respeito, da convivência saudável e da prevenção à violência no ambiente escolar. Reuniões de planejamento e articulação com representantes do Ministério Público do Ceará, a procuradora de Justiça Isabel Porto, o promotor de Justiça Ayrton Foch, psicólogos e assistentes sociais. Visitas de acolhimento a familiares de estudantes para oferecer apoio e acompanhamento. Treinamento para monitores sobre prevenção e pós-venção ao suicídio e intervenção em situações de crise. Formação de professores para acolhimento de estudantes. Encontros para pais e responsáveis com orientações e fortalecimento da parceria entre família e escola. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/08/03/policia-investiga-morte-de-estudante-de-11-anos-familia-diz-que-ela-sofreu-bullying.ghtml


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